| Zé Bêlo: Liderança do Bairro do Corte |
Nascido e criado na cidade de Messias, bairro do corte, filho de carpinteiro, de família humilde, desde cedo, apaixonou-se pela carpintaria seguindo assim, os caminhos de seu pai, Guilherme Rosa. José Raimundo Rosa, Zé Bêlo, é um dos mais tradicionais políticos da cidade. Muitas das decisões políticas passam exclusivamente pelo bairro do Corte, especificamente pela “Serraria do Zé”, como falam. Ele concedeu com exclusividade entrevista ao alagoasdeolhonanoticia e falou sobre assuntos ligados a política local e estadual.
Alagoasdeolhonanoticia- Como Antônio Rodrigues Calheiros, o Nino Calheiros, conseguiu vencer o poderio político e pessoal do ex-prefeito Abelardo Cavalcanti Lins?
Zé Bêlo- Todos se juntaram - inclusive com boa parte da família Calheiros - para apoiar seu Nino para prefeito. Naquela época, a situação – governo municipal - dizia que teria candidato único de forma ameaçadora. Foi então, que resolvemos nos juntar e ganhar as eleições, elegendo seu Nino para perfeito.
AON- Porque Djalma Elói rompeu com governo de Nino?
ZB- Quando ganhamos a eleição Pedrinho começou a se infiltrar e ganhar espaço e prestígio junto ao prefeito. Em um almoço no Pichilau, seu Nino reuniu a bancada e emocionado disse: “Não vá dar dor de barriga em ninguém, mas, meu candidato a prefeito é Pedrinho”. Aquilo acabou com o Djalma, que estava trabalhando para ser o candidato apoiado pelo prefeito. O prefeito Nino vivia praticamente na casa de Pedrinho que foi o vereador mais votado na época. Ele – Pedrinho - dava tudo ao povo: Terrenos, casas, tirava colocava gente da prefeitura, em fim, ele mandava na administração. Apesar de tudo, sua votação, nas últimas eleições, foi uma negação para quem agia como prefeito. Então, Djalma rompeu e a gente acompanhou como sempre. Mas, faltou muita habilidade de Djalma, como sempre acontece para contornar a situação.
AON- Foram muitos anos de lutas para tirar o poder e a hegemonia das mãos da família Calheiros. Como isso aconteceu e como se deu a vinda de Jarbas Omena?
ZB- Realmente quem trouxe Jarbinhas fui eu e Severino. No recesso da justiça, Djalma Elói chegou aqui para pegar uns milhos para a Drª Ana Raquel. Eu não pude ir e mandei o Severino ir até o Guida com o Djalma. Quando chegou lá, estava o Zé Preto, Guida e Severino. Foi quando o Zé Preto disse; “Pronto Djalma, chegou a hora de você ganhar a eleição, você tem os votos e o homem é forte – financeiramente” - Foi então que Djalma respondeu: “ É forte, muito forte”, em tom de ironia. Quando Severino me disse eu fiquei preocupado e resolvi falar com o Jarbinhas, para isso, o Didiu empregado da fazenda Riacho Branco, me passou o número do telefone do escritório de Jarbas Omena. Liguei a secretária atendeu e passou para ele. Neste momento, o convidei a reunião no sindicato dos trabalhadores, e foi então que tudo começou, e fomos à vitória.
AON- Como surgiu a ideia de trazer uma pessoa que, apesar da boa situação financeira, carismática, bom relacionamento com o povo, nunca teve envolvimento político-partidário?
ZB- Ele nunca se envolveu em política, mas sempre ajudava. E a gente percebia que ele tinha uma inclinação pela oposição, apesar dele ajudar a todo mundo. Nunca se envolveu diretamente, mas, festa para candidatos a prefeito e principalmente vereadores ele fazia. Nunca nos negou ajuda, sempre atendeu a gente com carinho, mas sua tendência era ser oposição àqueles que desmandavam em Messias, porque ele não concordava com a situação em que a cidade vivia. Houve muitas festas na fazenda Riacho Branco, torneios de futebol... Os Calheiros olhavam para ele desconfiados, não olhavam para ele com bons olhos.
AON- Como os detentores do poder - a família Calheiros – recebera a derrota?
ZB- Os Calheiros jamais engoliram o Jarbinhas como mandatário da cidade. Eles pensaram que eram imbatíveis. Eles sempre quiseram dominar a cidade por toda a vida, e ele foi o único que chegou e dominou tudo.
AON- Qual o verdadeiro motivo do rompimento de Djalma Elói – então vice-prefeito - com Jarbas Omena?
ZB- Djalma sabia que Jarbinhas jamais iria apoiá-lo. O rompimento começou aí. O tratamento de Jarbinhas com o Djalma sempre foi muito bom e de amizade. O Djalma participava de tudo que a prefeitura tinha direito a dar ao povo. Ele tinha regalias de dar o que quisesse e a quem quisesse. Se tivesse ocorrido uma conversa antes, tudo bem, mas, isso não ocorreu, pelo menos do meu conhecimento em nenhum momento. Houve várias reuniões, mas isto não foi ventilado de Jarbinhas dizer que o próximo candidato seria Djalma Elói. Isso nunca existiu.
AON- Se fosse o contrário, Djalma apoiaria Jarbinhas?
ZB- Tenho certeza que não. Acho que não...
AON- Quais os motivos da inexpressiva votação obtida pelo deputado Sérgio Toledo?
ZB- No meu ponto de vista, faltou empenho do grupo do prefeito. De algumas lideranças, principalmente os vereadores. Não estou culpando nenhum, se pegaram ajuda, se gastaram ou não gastaram isso não é problema meu. Agora eu acho que faltou empenho de todos os companheiros, muito deles ficaram de braços cruzados. No dia da eleição dei uma volta na cidade e vi poucos companheiros pedindo voto nas ruas.
AON- O deputado Sérgio Toledo é um homem - até provem o contrário – de bem. Até hoje nunca seu nome foi citado em falcatruas na Assembleia Legislativa. Ele é um bom político, avesso a violência e atencioso. Por que esta decepção nas urnas em Messias?
ZB- Eu já disse, faltou cobrança do prefeito Jarbinhas e mais empenho principalmente dos vereadores que tiveram uma boa ajuda e não apareceram na cidade. Todo mundo sabe e fala disso. Cadê os vereadores? Isto é uma vergonha.
AON- É verdade que houve cobranças e “apertos” depois do resultado e teve gente que queria até pular o muro da casa de Jarbinhas?
ZB- Houve vereador que disse que não mais seria candidato depois da conversa de Jarbinhas e Luiz Emilio. Eu não estava presente, mas, houve jogo duro, batida na mesa, muita cobrança porque os votos não apareceram. Tinha vereador que queria escapulir, mas não tinha como. O Déo - vereador Adeilton Francisco –disse depois da conversa com Luiz Emílio que não era mais candidato. A conversa não foi boa. Tinha nego que queria sair de fininho, mas não teve jeito. (risos)
AON- Como Jarbinhas deveria ter agido?
ZB- É o tipo da coisa: Nosso amigo Luiz Emilio e seu irmão confiam demais nas pessoas erradas, aí onde tá o problema. Porque não se admite, um grupo com sete vereadores, uma prefeita, vice-prefeito, as lideranças, o trabalho feito por Jarbinhas durante todos esses anos e ter a quantidade de votos igual a uma pessoa que nunca esteve na cidade, no caso a deputada Flavia Cavalcante. Isso eu não concordo, isto é uma vergonha, me perdoem mas é a realidade. Ainda hoje me envergonho quando os amigos me perguntam a votação do deputado Sergio em Messias.
AON- Como você analisa a próxima campanha para prefeito?
ZB- No meu ponto de vista, Luiz Emílio, Vânia Omena, Jarbinhas e o grupo têm que se acordar. O que passou não pode jamais ser repetido. Confiou demais e o barco quase afunda. Tem que ficar de olhos bem abertos e puxar nas orelhas de certas pessoas, principalmente esses que dizem que tem votos, pegam ajuda e não aparecem para trabalhar.
AON- Sobre as possíveis candidaturas de Djalma Elói, Zacarias Pichilau, Messias Lino, Almir Rego e Fabrício?
ZB- Quem vota tem o direito de ser votado. Todos têm os mesmos direitos. Eles são boas pessoas, tem condições de serem prefeitos, e eu acho que a democracia existe para isso, para dar direito e deveres a todos. Então, quanto mais candidatos, o povo terá mais opções.
AON- O que você acha da candidatura de Luiz Emílio?
ZB- É uma boa candidatura. O povo de Messias já o conhece bastante. Ele mudou muito, era afastado, mas, agora está mais perto do povo. Conversei com ele e percebei que ele está começando a andar na cidade, ele tem que fazer isso. Ele como prefeito da cidade, Messias só tem a ganhar. Tem que enxergar melhor e em quem pode confiar e olhar quem são os verdadeiros amigos.
AON- Está existindo uma grande confusão dentro no PSDB local, isto é público e notório. Qual o motivo?
ZB- O Severino conversou com o Fabio Rodrigues secretário particular do gabinete civil sobre o PSDB aqui de Messias, e de imediato Fábio ligou para o Claudionor Araujo – presidente do PSDB de Alagoas – para que ele conversasse com o vereador Marcos Valério, sobre a questão da presidência do partido. Não queremos briga dentro dos tucanos, por isso, Severino tomou esta atitude.
AON- Mas, afinal, qual o problema?
ZB- O vereador Marcos Valério quer, segundo informações, de todo jeito colocar na presidência seu filho e isto nós não aceitamos, afinal, temos bons nomes aqui que são fundadores do partido. Ele quer se perpetuar no poder, usando para isto, o filho. Isto só pode ser brincadeira. Isto é uma descriminação. Ele está agindo em casa própria, não em nome do partido. Quer ficare no poder, igual ao Muammar Gaddafi.
AON- Conversei com o vereador Antônio Cícero, o Balú, e ele me falou que se você ou Severino for presidente ele sai e funda outro partido, mas não aceita. O que você diz?
ZB- O Balú tem que cuidar da eleição dele que não está fácil. Vamos pra frente.
AON- Como você analisa a atuação da Câmara de Vereadores?
ZB- É difícil e muito complicada. É difícil eu ir a Câmara, mas, a conversa de bastidores e do povo nas ruas e até na internet tem muita coisa a respeito da Câmara de Messias. Eu queria alertar aos companheiros porque estão falando muito dos trabalhos deles aqui na cidade. O que estou vendo nas ruas e na imprensa é muito ruim. Diz\em até que esta é a pior legislatura de todos os tempos. Não fazem nada, não reivindica nada. Pergunte ao povo o que ele acha desta Câmara que você vai obter a resposta.
AON- Fale-me da sua expectaiva sobre a gestão de Manoel Elias a frente da Câmara Municipal?
ZB- Boa escolha dos vereadores. Um amigo, eu acho que a Câmara está em boas mãos. Manoel Elias ele saberá administrar aquela casa, não sei se os outros vão deixar.
Por, Roberto Ventura
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