BLOG DO VENTURA
Oposição está otimista para o próximo pleito, mas no âmbito local, as coisas são diferentes
Setores da oposição na cidade de Messias hoje liderada pelo empresário Zacarias Pichilau (PP) e o advogado Messias Lino (PDT), estão otimistas e eufóricos e não param de comemorar. A expressiva votação obtida pela deputada Flávia Cavalcante (PMDB) 1.508 votos - até então uma ilustre desconhecida na região - contra 1.575 do deputado Sérgio Toledo (PDT) apoiado pela prefeita Vânia Omena (PSDB), pelo o ex-prefeito Jarbas Maya de Omena (PSDB), sete vereadores, suplentes e várias lideranças locais, tem sido motivo de muita empolgação por parte dos oposicionistas.
A votação de Flávia Cavalcante já era esperada, levando-se em consideração o investimento feito pela deputada e pelos próprios apoiadores de sua campanha em Messias. O problema é que, o deputado Sérgio não conseguiu um bom desempenho nas urnas devido a uma série de fatores. A oposição jogou no erro do adversário, ou seja, nas falhas cometidas por aqueles que comandam administração municipal, tendo a frente à prefeita Vânia Omena, que até agora não conseguiu dar continuidade ao trabalho realizado pelo ex-prefeito Jarbas Maya e muito menos empolgar o eleitorado messiense. O resultado do último concurso público onde várias pessoas perderam seus empregos; o pólo industrial que seria a redenção econômica de Messias na geração de emprego e renda e até agora não saiu do papel; a falta de engajamento por parte dos vereadores, dentre outros fatores, foram decisivos para este fracasso.
O que pode mudar na eleição 2012?
No caso das eleições municipais elas tornam-se mais de caráter pessoal, do corpo-a-corpo, o eleitor conhece de perto os candidatos, aquele que fez, que poderá fazer, ou mesmo aqueles que entram na disputa para tirar vantagem. Há também, o interesse pessoal, o peso político das lideranças, as alianças e, sobretudo, esta é uma eleição polarizada, certamente não haverá unanimidade em torno de uma única candidatura do lado oposicionista, e isto fortalece e dar mais segurança ao candidato da situação.
É fato que o resultado do último dia 3 de outubro influencia nas eleições municipais e serve de alerta para o grupo governista. Porém, quem tem a máquina na mão, entra com certa vantagem no jogo, isto não quer dizer que a eleição já tenha um vencedor, até porque faltam dois anos para o próximo pleito e muita coisa irá acontecer.
Sem dúvida, um dos principias patrocinadores e sustentáculo das oposições em Messias será o ex-prefeito Cícero Cavalcante (PMDB), pela votação que sua filha a deputada Flávia obteve nesta cidade. Outro detalhe que vale destacar, é que o agora ex-prefeito Cícero Cavalcante (ele foi afastado pela Justiça Eleitoral por ter quatro mandatos consecutivos) não conseguiu eleger sua mulher Doda Cavalcante (PMDB) para prefeitura de Matriz do Camaragibe (ela está no cargo por decisão judicial), bem como, ele, não se elegeu para a chefia do executivo municipal de São Luiz do Quitunde, perdendo as eleições por 800 votos para Jean Cordeiro - (PP) - (também denunciado e afastado por compra de votos em 2008), uma diferença além do esperado levando-se em consideração o eleitorado daquela cidade. Ao contrário de que muitos pensam Cícero Cavalcante não terá toda essa influência nas eleições municipais de 2012.
Futuro governador terá influência na eleição municipal
Dependendo de quem seja eleito governador do Estado no próximo dia 31, haverá sem dúvida, mudanças no comportamento dos bastidores políticos em Messias. Caso Teotônio Vilela (PSDB) vença as eleições, o ex-prefeito Jarbas Omena estará automaticamente cada vez mais fortalecido para a disputa em 2012, já que Jarbinhas é um dos coordenadores da campanha de Téo ao governo do Estado. Vencendo Ronaldo Lessa (PDT), tanto Jarbas Omena quanto Zacarias Pichilau e Messias Lino irão de todas as formas tentar o apoio do ex-governador. Só que, no governo de Ronaldo, o deputado Sérgio Toledo era um dos homens fortes e de confiança daquela administração, sendo o líder do governo na Assembléia Legislativa, ou seja, o homem de maior prestígio junto ao então governador. Hoje, Toledo apóia com todas as forças o pedetista (Lessa), isto significa que o grupo do ex-prefeito Jarbinhas tentará junto a Sérgio o apoio de Lessa à sucessão de Vânia Omena. O deputado Toledo não deseja de forma alguma perder seu reduto eleitoral. Será, sem dúvida, uma “queda de braço” e vencerá aquele que melhor se articular e usar de todo o prestígio político e pessoal para tentar convencer Lessa – caso seja eleito - a apoiar a oposição ou o grupo governista.
Oposição dividida
Certamente teremos três ou mais candidatos no próximo pleito municipal. É notório que o jogo de interesse, a demagogia, o radicalismo, a prepotência, a arrogância, alinhados a falta de conhecimento político de alguns candidatos levam-no a acreditar, que poderá ganhar as eleições vindouras. Com isto, certamente haverá um racha das oposições porque os interesses pessoais estão acima do coletivo, é o “salve-se quem puder”, a vaidade entre eles está em primeiro lugar. A política com em todo lugar, especialmente em Messias virou um bom negócio, um grande meio de vida, é a chance de alguns pretensos candidatos ganharem um dinheirinho extra aumentando o caixa pessoal. Com isto, o candidato apoiado pelo governo municipal que, dependendo da situação de momento, poderá ser ou não o ex-prefeito Jarbas Omena, sem dúvida, sairá mais uma vez em vantagem. Dividir jogando contra um adversário experiente, inteligente, com fortes aliados no âmbito federal, estadual e municipal e que tem no seu carisma pessoal um conquistador de votos, é uma tarefa muito difícil.
As eleições de 3 de outubro é um retrato fiel do que poderá acontecer, isto é, representa muito em termos de apoio político aos futuros candidatos, tanto na majoritária quanto na proporcional. Uma eleição sempre é um preparativo para a próxima. É muito cedo para fazermos uma análise mais precisa acerca do pleito vindouro, porém, todo o processo passará, sem dúvida, pelo desempenho de Teotônio Vilela e Ronaldo Lessa ao governo do Estado. Até as eleições, muita água vai rolar por debaixo da ponte. Vêm os acordos, as alianças, em fim, aquele que está na situação poderá ir para a oposição e vice-e-versa. O que vai valer mesmo é a habilidade, jogo de cintura e poder de aglutinação por parte dos futuros candidatos. Quem viver verá!