sábado, 13 de novembro de 2010

Blog do Ventura  
Policiais civis são desviados de suas funções
Ao invés de investigar crimes, agentes atuam como carcereiros nas delegacias do interior

Agentes da Polícia Civil de Alagoas estão sendo desviados de suas funções. Ao atuarem como carcereiros eles deixam de cumprir o seu papel constitucional que é investigar crimes para vigiar presos. De acordo com o Sindicato dos Policias Civis, os agentes trabalham em condições subumanas onde as delegacias de polícia não oferecem a mínima condição para o exercício da profissão. Hoje, especialmente no interior do Estado, poucos crimes são elucidados. O trabalho que deveria ser exercido por guarda de presídio é realizado por policiais civis.
Em algumas delegacias de Alagoas, a exemplo de São José da Laje, cidade a 80 km de Maceió, a situação é de calamidade, apenas um policial faz a guarda de 15 presos, todos de alta periculosidade. “Estamos trabalhando de forma absurda, pois, além de cuidar dos detentos, tenho que preservar minha integridade física, dos presos e de terceiros. Faço a guarda destas pessoas sem a mínima condição de trabalho tenho que atender telefonemas, tomar banho fazer refeições próximo as celas para que eles não fujam. Quando chego em casa fico estressado e agressivo” disse um policia civil que não quis se identificar.
As delegacias regionais estão superlotadas. Em União dos Palmares, zona da mata alagoana, nos finais de semana três policiais fazem a segurança de 30 detentos, à noite, eles se revezam na vigilância. Nas cidades de Palmeira dos Índios, Matriz de Camaragibe, São Miguel dos Campos e Penedo a situação também é caótica. As fugas são constantes. As ocorrências não são atendidas, porque, caso o policial se afaste da delegacia, corre o perigo de uma fuga em massa ou mesmo uma invasão para resgate de presos.  Nêste caso, ele irá responder na Corregedoria de Polícia.
 Na tentativa de resolver o problema, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas tem realizado vários protestos reivindicando a transferência dos presos das delegacias para o presídio estadual, mas, até agora, pouco se fez em termos práticos. “Desde o governo passado que nós reivindicamos a transferência dos reeducandos para o presídio, mas, até agora, só na capital o problema foi resolvido, no interior a situação é de calamidade. A população é a única prejudicada porque quando não se investiga, os delinqüentes ficam a solta para cometer mais crimes”, afirmou Josimar Melo vice-presidente do SINDPOL.
Em Maceió, o diretor geral da Polícia Civil delegado Marcílio Barenco, solicitou ao Ministério Público Estadual a transferência dos presos das delegacias de Maceió para o sistema prisional alagoano. Hoje, foram extintas as carceragens nos distritos da capital, com isto, vários crimes foram desvendados, os policiais estão nas ruas investigando e prendendo criminosos.
Tanto policiais civis quanto a sociedade alagoana, esperam que no próximo governo o problema seja solucionado. “Aqui em Alagoas, primeiro se prende para depois investigar. A prática investigativa leva algum tempo, tem que ser detalhada, minuciosa, recheada e robusta de provas para que um simples habeas corpus não coloque o infrator nas ruas. A Justiça tem que está embasada em provas materiais e intelectuais (quando houver), para que aquele acusado de cometimento de crimes seja penalizado” disse  Josimar


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